2.8.10
Frase solta
Desculpem-me os revolucionários, mas prefiro chorar de cebola a chorar de gás lacrimogêneo.
14.7.10
A aposta
Ah, se o menino soubesse que a única arma contra a monotonia não é veneno nenhum, não é coisa complicada. Se ele soubesse que a única coisa que poderia fincar de vez um garfo no tédio e ajudá-lo a tomar um gole grande de vontade fosse feito só de dois olhos e um sorriso, o menino seria deus. Mas o menino não quer ser deus. Semideus tampouco. O menino quer poder fechar os olhos à noite e sonhar só com ela -
- deuses descartam os sonhos e o sono como se fossem uma mão ruim num jogo de pôquer.
- deuses descartam os sonhos e o sono como se fossem uma mão ruim num jogo de pôquer.
28.6.10
O esforço de uma vida
E de súbito ele pensou o que devia fazer. Era óbvio - e era óbvio há tempo, sem ele ter percebido. Sua vida não seria gasta - como aquela daquele outro havia sido gasta - para juntar explosivos, para destruir... Passaria seu tempo construindo.
Passados anos e anos de estudos na genética, nas ciências biomoleculares, na química orgânica, ele chega ao resultado esperado.
Borrifou sua substância no mundo inteiro com seu avião monomotor e agora todas as Damas da Noite cheiravam de dia, também.
Passados anos e anos de estudos na genética, nas ciências biomoleculares, na química orgânica, ele chega ao resultado esperado.
Borrifou sua substância no mundo inteiro com seu avião monomotor e agora todas as Damas da Noite cheiravam de dia, também.
10.6.10
Do fim de todos os problemas
E a moça disse que eu devia andar com um bloquinho pra anotar todas as boas ideias que tivesse. Deus me livre! Se as melhores ideias não se perdessem, o que seria do mundo?! Seria um caos - pela falta de caos. Porque se todas as boas ideias fossem colocadas em prática, o mundo se resolvia - e, sinceramente, quem aí (ou aqui) quer isso?!
Eu precisava era mesmo de uma navalha pra cortar minha cabeça e não considerar mais solução alguma.
Eu precisava era mesmo de uma navalha pra cortar minha cabeça e não considerar mais solução alguma.
13.5.10
A história, não a estória
Era uma vez um cachorrinho. Nem era pequeno ou fofo, mas não havia ninguém que conseguisse proferir sua condição sem empregar o diminutivo. Portanto, era um cachorrinho. Voltemos - era mui esperto, na medida da possível esperteza canina. Um dia, enquanto uivava para a Lua - qual o problema de uivar pra Lua com o sol à pino?! - percebeu num gato a intenção de fazer mal a um passarinho. Deu um coça no gato e voltou a uivar. O passarinho, que já tinha percebido a situação, voou meio desengonçado e como ventava bastante, acabou na direção do cachorrinho. Furou seu peito e os dois morreram - a ave sem, mas o mamífero cheio de sofrimento.
Não se deve tirar nenhuma lição de moral, como nas estórias da tartaruga, da lebre, do pato feio ou da galinha, já que isso aqui não é estória, é história.
3.5.10
Da tempestade e da garoa
Os amores platônicos têm um quê de coisa dramática que me parece ser insuperável quando comparado aos quês dramáticos das outras emoções. Parece que toda a vida gira em torno do objeto de desejo. Mas só quando é platônico - todo mundo sabe que assim que se consuma, a graça se perde. Deus me livre! Quero é amor de pé no chão, amor terreno. Quero é paz, não quero essa tempestade me perturbando! Porque depois da tempestade, vem a calmaria, e no que diz respeito à alma humana, a calmaria quase sempre é indiferença.
Quero viver assim, com esse amor garoa, pra sempre - ou pra sempre que puder.
Quero viver assim, com esse amor garoa, pra sempre - ou pra sempre que puder.
22.4.10
Tesouro
Como que Perdido, do Dave Brubeck, tem esse nome? É a música mais sólida de todas! Por isso que cada vez mais eu penso que algum deus sarcástico está brincando com a cabeça dos artistas.
Ou com a cabeça de todos os homens...
Ou com a cabeça de todos os homens...
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