Não se deve tirar nenhuma lição de moral, como nas estórias da tartaruga, da lebre, do pato feio ou da galinha, já que isso aqui não é estória, é história.
13.5.10
A história, não a estória
Era uma vez um cachorrinho. Nem era pequeno ou fofo, mas não havia ninguém que conseguisse proferir sua condição sem empregar o diminutivo. Portanto, era um cachorrinho. Voltemos - era mui esperto, na medida da possível esperteza canina. Um dia, enquanto uivava para a Lua - qual o problema de uivar pra Lua com o sol à pino?! - percebeu num gato a intenção de fazer mal a um passarinho. Deu um coça no gato e voltou a uivar. O passarinho, que já tinha percebido a situação, voou meio desengonçado e como ventava bastante, acabou na direção do cachorrinho. Furou seu peito e os dois morreram - a ave sem, mas o mamífero cheio de sofrimento.
3.5.10
Da tempestade e da garoa
Os amores platônicos têm um quê de coisa dramática que me parece ser insuperável quando comparado aos quês dramáticos das outras emoções. Parece que toda a vida gira em torno do objeto de desejo. Mas só quando é platônico - todo mundo sabe que assim que se consuma, a graça se perde. Deus me livre! Quero é amor de pé no chão, amor terreno. Quero é paz, não quero essa tempestade me perturbando! Porque depois da tempestade, vem a calmaria, e no que diz respeito à alma humana, a calmaria quase sempre é indiferença.
Quero viver assim, com esse amor garoa, pra sempre - ou pra sempre que puder.
Quero viver assim, com esse amor garoa, pra sempre - ou pra sempre que puder.
22.4.10
Tesouro
Como que Perdido, do Dave Brubeck, tem esse nome? É a música mais sólida de todas! Por isso que cada vez mais eu penso que algum deus sarcástico está brincando com a cabeça dos artistas.
Ou com a cabeça de todos os homens...
Ou com a cabeça de todos os homens...
21.4.10
De como se ler um poema
Ouvi no rádio que um homenzinho qualquer estava dando um curso chamado 'Como ler um poema', ao custo de um salário mínimo aproximado. Pois eu te digo como deve ser lido um poema, rápida e gratuitamente -
Em silêncio.
Em silêncio.
12.4.10
Primeiro o verbo
Um único verbo dita a roda do mundo: Fazer. Fazemos de tudo pra fazer tudo que deve ser feito - porque sempre há algo a se fazer - e o que não fazemos fazemos questão de fazer mais tarde. Até eu, faço que não ligo que algo deve ser feito. Porque afinal, quero ser o tal - mas quero mesmo é ter o Tao.
5.4.10
O menino e o céu
Então ele se decidiu. Investiu todos seus anos e conseguiu juntar explosivo suficiente. Colocou pelos cantos do planeta e explodiu.
O que ele queria é que tudo fosse céu.
O que ele queria é que tudo fosse céu.
30.3.10
As coisas que caem
Acho que o que mais atrapalha nossa vida é a desjuntura. Nossos corpos vivem perdendo pedacinhos ao longo da vida. Cabelos e unhas vão crescendo e suas pontas vão caindo, vão indo embora. Mas cabelos e unhas não são o verdadeiro problema. O verdadeiro problema são as coisas que caem de livre e espontânea vontade - em acidentes, em batalhas, nas surpresas. Não, não estou falando de braços ou pernas, estou falando das lembranças.
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