7.11.11

O Muro

Tem gente que se diz forte e topa qualquer parada. Mas o mundo é, no mínimo, obstáculo, e elas topam é de cara no muro - logo aquele que julgavam ser facilmente transponível, desde que o coração entregasse-se à revolução. Aí vem o inesperado: vitimizam-se, umas às outras, e exigem que aquele muro duro caia por si só, pois, ora, é o que um muro, quando coerente, deve fazer! Pois, minha gente, devo alertar-vos:

Muro nenhum foi feito pra cair e se vocês querem tanto assim levá-lo ao chão devem esforçar-se um pouco mais...

16.10.11

Busca à fase caudal

Acho que a vida é um eterno buscar-por-si-mesmo. E a maior pena é quando achamos um pedaço enorme de nós-mesmos e o perdemos. É como eu falei pra moça, uma vez: talvez esse pedação que deixamos cair seja tal qual o rabo da lagartixa - vai voltar a crescer num dia desses. Mas que medo que dá que não seja uma cauda, mas um braço ou (ui!) uma cabeça...

Não nos preocupemos - somos baratas, eu sei, e vivemos mais de uma semana sem cabeça. Mas viver sem cabeça é muito difícil por dois motivos:

1) As antenas iriam junto, e sem antenas o mundo nos pareceria tão numb;

2) Teríamos que comer pelo ânus...

1.10.11

Conversa de funeral

- Qualquer um pode morrer um dia, né?!

6.9.11

Invejinha

Tenho muita inveja daqueles versos 'eles passarão, eu passarinho'... Como queria tê-los escrito antes do Quintana! Mas tudo bem, acho que isso só faz de mim mais passarinho.

Passarinho não. Pomba. Faz de mim uma pomba. Vejo sempre uma pomba que vive do farelo que as outras pombas acham. Não sei bem quando ou como começou o ciclo, mas ela consegue roubar porque é maior e é maior porque rouba. Mas não, as outras pombas nem ligam muito. Adaptaram-se, pois é disso que se faz a natureza. Então as mirradinhas tratam de achar só farelo de pão enquanto a gorda está por perto. Quando não há mais gorda roubalhona, aí então é que elas acham tapioca, salsicha, salmão, caviar! Aí é aquele caso de duplo ganho - a pomba gorda continua sendo gorda e roubalhona, pensando que é a melhor, e as outras continuam sendo mirradinhas, mas comendo bem.

Pois vendo agora, vejo que você pode entender que comparei-me à pomba gorda e Quintana às pombas magras. Não, não, repito: eu sou uma pomba, ele é passarinho. É como dizem aqueles versos meus:

Todos estes que aí estão
atravancando meu caminho.
Eles passarão.
Mario passarinho.
Eu pomba.

17.8.11

Janela

O mundo não é engraçado?! Às vezes a gente abre a janela da sala pros bichinhos sairem e tantos outros bichinhos acabam entrando...

Disperdício

Um amigo meu, desses a quem todo mundo insiste em chamar de poeta - eu não ouso -, disse que a cada poema que escreve deixa de escrever 3 ou 4. Pois eu, e sem me achar melhor que ele (aliás, pelo contrário, me acho muito mais gastão), quando escrevo um poema deixo de escrever todos os outros.

24.7.11

Borboletas, abelhas e outros bichinhos

E o cheiro dela me pegou de repente, como que num soco de Muhammad Ali. Pois foi porque usei uma blusa que me esqueci de lavar. Graças ao Santo dos Esquecidos (esqueci seu nome) levei esse golpe que me fez dar um pulo de susto e, depois, sorrir.

É tão bom não ser perfeito!