22.11.09
21.11.09
Lincença Poética
Estava eu, em um dia ensolarado, sentado em um banco de praça a alimentar os pombos. Já havia 45 minutos que eu estava lá, e já havia 30 minutos que um homem me mirava. Ele usava uma casaca bege e cerrada até o último botão - certamente escondia algo, até porque a temperatura relativa do ar era altíssima. Veio até mim e começou a falar:
- 'Tarde, senhor. Gostaria de estar comprando uma mercadoria de inestimável valor?
Curioso, decidi perguntar do que se tratava a oferta.
- Gostaria de adquirir tal mercadoria, se me confirmasses o inestimável valor que dizes que ela tem.
Então ele abriu a casaca e eu vi. Não sabia o que era, não me lembrava de ter visto aquilo alguma vez em minha vida. Mas senti umagnética atração, estranha e completa. Fui obrigado a perguntar:
- O que é isso?
- Isso, meu bom homem, é algo de se morrer buscando. Se trata de uma Licença Poética. Ganhei esta jovem, de meu avô, e fiz bom uso. Mas vejo que é hora de passá-la a quem precise. E você e seus pombos, Deus me disse, precisam.
- Minha curiosidade me leva a aceitar. Quanto pedes pela Licença?
- Uma barganha, meu amigo, uma barganha. Duas moedas quaisquer e ela é sua.
- Duas moedas?! Quaisquer moedas?!
- Sim.
Fiz a compra, tive de fazê-la. E hoje digo: pior negócio que poderia alguém fazer em toda a vida.
- 'Tarde, senhor. Gostaria de estar comprando uma mercadoria de inestimável valor?
Curioso, decidi perguntar do que se tratava a oferta.
- Gostaria de adquirir tal mercadoria, se me confirmasses o inestimável valor que dizes que ela tem.
Então ele abriu a casaca e eu vi. Não sabia o que era, não me lembrava de ter visto aquilo alguma vez em minha vida. Mas senti umagnética atração, estranha e completa. Fui obrigado a perguntar:
- O que é isso?
- Isso, meu bom homem, é algo de se morrer buscando. Se trata de uma Licença Poética. Ganhei esta jovem, de meu avô, e fiz bom uso. Mas vejo que é hora de passá-la a quem precise. E você e seus pombos, Deus me disse, precisam.
- Minha curiosidade me leva a aceitar. Quanto pedes pela Licença?
- Uma barganha, meu amigo, uma barganha. Duas moedas quaisquer e ela é sua.
- Duas moedas?! Quaisquer moedas?!
- Sim.
Fiz a compra, tive de fazê-la. E hoje digo: pior negócio que poderia alguém fazer em toda a vida.
20.11.09
Dia que não chega...
Um dia eles verão que gritar não adianta,
só atrasa.
Não há luta pra vencer.
Um dia desses de verão eles vão ver...
só atrasa.
Não há luta pra vencer.
Um dia desses de verão eles vão ver...
Interferência divina
Ele dormia cedo, mas não nessa noite. Nessa noite, a clarabóia do seu quarto iluminava mais que todas as noites - bem, não a clarabóia, mas a Lua que por ela atravessava. E enquanto não chegava o sono, contava carneiros tosados, cada um com uma camisa florida de cor diferente, que pulavam ondinhas no mar.
18.11.09
Surpresa mortal
Apesar de manjado, fazia sucesso como mágico. Seus números eram dos mais simples - serrar a ajudante ao meio, vomitar paninhos, desaparecer em uma caixona. Mesmo assim, o público ia à loucura. Talvez porque fosse simpático e extrovertido, talvez porque não tinha cara de quem sabia o que estava fazendo. Morreu novo, de parada cardíaca, quando foi tirar um coelho de sua cartola e quem saiu foi Abraham Lincoln.
17.11.09
O problema do Poetinha
O teu problema, Poetinha, é que você pensa demais sobre emoções, o que é o mesmo que se dizer mudo. Tudo que você vê é cinza, nada branco ou preto ou amarelo, já que tudo que vê, olha com olhos críticos.
O teu problema, Poetinha, é que pra você uma flor não passa de um bucado de um buquê.
O teu problema, Poetinha, é que pra você uma flor não passa de um bucado de um buquê.
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